Antes de comprar, confira o histórico completo do veículo

Gravame, restrições e histórico de leilão em um único relatório, em segundos.

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Busca e apreensão é a retomada judicial (ou, desde 2025, extrajudicial) de um veículo comprado com financiamento e alienação fiduciária, quando as parcelas deixam de ser pagas. Não existe um cadastro público único que qualquer pessoa possa consultar diretamente pela placa; o jeito de reduzir o risco é combinar canais oficiais com um relatório que mostre se o veículo tem gravame ativo e restrições registradas.

O que é busca e apreensão, e quando acontece

Busca e apreensão acontece quando um veículo é comprado com financiamento em alienação fiduciária (o banco fica como proprietário até a quitação) e o comprador para de pagar as parcelas. Depois de notificado sobre o atraso, se a dívida não for regularizada, a instituição financeira pode acionar o processo legal para retomar o bem.

As duas rotas legais: a tradicional e a criada em 2025

Até 2025, a única via era judicial: o credor entra com uma ação na Justiça, obtém um mandado de busca e apreensão, e oficiais de justiça (ou agentes contratados pelo banco) recolhem o veículo.

Em 2025, o CNJ regulamentou, pelo Provimento nº 196/2025 (em vigor desde 05/06/2025), uma segunda rota, extrajudicial: com base na Lei nº 14.711/2023 (Marco Legal das Garantias), que alterou o Decreto-Lei nº 911/1969, o credor pode buscar e apreender o veículo diretamente pelos Cartórios de Registro de Títulos e Documentos, sem precisar abrir um processo na Justiça. Para veículos especificamente, a Resolução CONTRAN nº 1.018/2025 (PDF) complementa o rito: depois de notificado pelo cartório, se o devedor não pagar em até 20 dias nem contestar, o processo segue para o Detran do estado, que lança a restrição no Renavam e emite uma Certidão de Busca e Apreensão do veículo.

Nas duas rotas, depois da apreensão o devedor ainda tem uma última chance: até 5 dias úteis para quitar a dívida integral (não só as parcelas atrasadas) e recuperar o veículo.

Renajud é só uma parte do quadro

É comum achar que "checar Renajud" resolve a dúvida. O Renajud registra só restrições de origem judicial (ordem de juiz). A rota extrajudicial criada em 2025 não passa pelo Judiciário, então não gera Renajud, mas gera outro tipo de restrição, lançada pelo Detran direto no Renavam. Na prática, isso significa que qualquer uma das duas rotas acaba aparecendo no histórico de restrições do veículo, que é o que uma consulta de situação (Detran ou relatório completo) mostra. O nome técnico da restrição pode variar; o que importa é checar o histórico completo, não só "tem Renajud, sim ou não".

Pessoa segurando um relatório de consulta veicular com restrição de busca e apreensão ativa, ao lado do notebook aberto no site Ver Placa para consultar a situação do veículo pela placa

Como verificar antes de comprar

Não existe uma busca única "por placa" que devolva "sim/não" sobre busca e apreensão. O caminho é combinar:

  • App Carteira Digital de Trânsito (CDT): em "Veículos", selecione o veículo e veja "Restrições e indicadores".
  • Detran do seu estado (ver o canal oficial de cada Detran): informando placa e Renavam, mostra restrições financeiras e judiciais vinculadas.
  • Portal de processos do Tribunal de Justiça do seu estado: busca por nome completo, CPF/CNPJ ou número do processo, útil se você já sabe o nome do proprietário e quer checar ações judiciais de busca e apreensão movidas por bancos.
  • Relatório completo da Ver Placa: usando só a placa, o chassi ou o número do motor, mostra se o veículo tem gravame ativo (indício de financiamento em aberto, o principal fator de risco) e o histórico de restrições já registrado.

O que fazer se encontrar sinal de risco

Gravame ativo não significa, sozinho, que o veículo está em busca e apreensão: significa que ele tem financiamento em andamento, o que já é um risco a mais na negociação. Antes de fechar negócio com esse sinal, vale pedir ao vendedor comprovante de quitação ou de parcelas em dia, e, se possível, confirmar diretamente no Detran do estado. Veículos com histórico de leilão ou indícios de adulteração merecem o mesmo cuidado extra.

Perguntas frequentes

O que é busca e apreensão de veículo?

É a retomada, pela Justiça ou (desde 2025) por via extrajudicial em cartório, de um veículo financiado com alienação fiduciária cujas parcelas não foram pagas.

Dá para consultar busca e apreensão só com a placa?

Não existe uma busca única que confirme isso. O caminho prático é verificar gravame ativo e o histórico de restrições (via relatório completo ou Detran) e, se precisar confirmar um processo judicial específico, consultar o portal do Tribunal de Justiça do estado.

O que mudou com o Provimento nº 196/2025 do CNJ?

Passou a existir uma via extrajudicial: o credor pode buscar e apreender o veículo diretamente pelos Cartórios de Registro de Títulos e Documentos, sem processo judicial, com base na Lei nº 14.711/2023. Para veículos, a Resolução CONTRAN nº 1.018/2025 complementa esse rito junto ao Detran.

Busca e apreensão sempre aparece no Renajud?

Não. O Renajud só registra restrição de origem judicial. A rota extrajudicial gera uma restrição diferente, lançada pelo Detran direto no Renavam, mas ainda assim aparece no histórico de restrições do veículo, então vale checar esse histórico completo, não só o Renajud isoladamente.

Quantos dias tenho para recuperar o carro depois da apreensão?

Até 5 dias úteis para quitar a dívida integral (não só as parcelas atrasadas) e reverter a apreensão, tanto na rota judicial quanto na extrajudicial.